segunda-feira, 29 de junho de 2009

História da imprensa no Brasil e no mundo

Ao contrário do que muitos pensam o jornal não nasceu depois da invenção de Gutenberg. A história mostra que ele percorreu longo caminho até chegar aos dias do inventor. A história da imprensa Brasileira e mundial vale a pena ser contada, pois foi através de muitas pessoas e seus inventos fantásticos que ela se modernizou e se tornou o que é hoje. De acordo com Noblat (2002), o imperador Júlio César, no ano 59 A.C ordenou que se criassem as Acta Diurna, folhas de notícias afixadas em toda a cidade de Roma. Por volta de 105 os chineses inventam o papel, suporte fundamental para o desenvolvimento da imprensa. Gutenberg inventa em 1438, em Estrasburgo (França), a tipografia, processo de impressão a partir de tipos em relevo. Veloz, para quem até agora só dispunha dos manuscritos, a reprodução tipográfica permite a edição de cadernos de até 16 páginas. A Bíblia, de Gutenberg, é o primeiro livro impresso em tipografia, o ano é 1455. Em 1464 Instala-se no convento de Sibiaco, próximo a Roma, o primeiro centro italiano de tipografia e impressão, onde são impressos o De Civitate Dei, de Santo Agostinho, e o De Oratore, de Cícero, entre 1465 e 1467.

Tido como o primeiro impressor português, Rodrigo Álvares publica dois trabalhos escritos pelo bispo Dom Diogo de Sousa em 1497. São as Constituições Sinodais e Evangelhos e Epístolas, os primeiros livros em língua portuguesa. A primeira gráfica das Américas é criada em 1539, no México, com a autorização do vice-rei Mendonza. São impressos, alguns livros de piedade e alguns tratados jurídicos. O México torna-se um pólo de publicações, com produção superior à de muitas cidades européias.

O primeiro jornal diário do mundo surge em 1702. Trata-se do Daily Courant, uma única folha impressa só na parte da frente. Dele nasceria a escola anglo-saxônica, segundo a qual a objetividade é a virtude essencial do jornalismo. No período de 1789 a 1800, a Revolução Francesa dá impulso extraordinário à imprensa. Nesses onze anos, são publicados mais de 1.500 títulos novos, duas vezes mais que nos 150 anos anteriores.

Noblat (2002), diz que com a chegada da corte portuguesa ao Brasil, em 1808, surge a impressão régia, onde se imprimem leis e papéis diplomáticos e se exerce a censura prévia. Em 1º de junho é editado, em Londres, o primeiro número do Correio Braziliense e em 10 de setembro é publicado o primeiro número da Gazeta do Rio de Janeiro, jornal destinado a informar as ações administrativas e a vida social do Reino. Dom Pedro I, em 28 de agosto de 1821, decreta o fim da censura prévia. No mesmo ano, surge o Diário do Rio de Janeiro, considerado o primeiro jornal informativo do país. Em 1823 Frei Caneca lança o Typhis Pernambucano, em defesa da liberdade de imprensa e contra a escravidão. É fuzilado no Recife em 15 de janeiro de 1825.

Assis Chateaubriand, ao assumir O Jornal, em 1924, dá início ao primeiro império de comunicação do país, os Diários Associados, que toma este nome logo após a Revolução de 1930 e que nos anos 90 passaria a se chamar Associados. Durante o Estado Novo, período que vai de 1934 a 1945, Getúlio Vargas cria o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), que instala a censura e veta o registro de 420 jornais e de 346 revistas. Vários jornais de oposição ao regime militar surgem entre 1960 e 1980. Entre eles, destacam-se O Pasquim, Opinião, Movimento e Em Tempo.

Em 1975, o Jornalista Wladimir Herzog é assassinado nas dependências do DOI-CODI, em São Paulo. Para Ricardo Noblat (2002) a morte de Herzog produz uma grave crise na ditadura militar, provoca reações da sociedade civil e expõe o que de pior ocorria durante o regime instalado em 1964: prisão, tortura e morte de militantes de esquerda. Mais recentemente, em 1991, jornalistas africanos redigem uma declaração de princípios para uma mídia livre, independente e pluralista, a Declaração de Windhoek. Tem início a comemoração do Dia Mundial da Imprensa.

No ano de 1999, foi realizado pela Freedom House um estudo em 186 países. O estudo informa que somente em 69 destes existe imprensa livre. Outros 51 têm jornalismo parcialmente livre e 66 censuram a mídia eletrônica. Só nesse ano, 71 jornalistas são assassinados no Brasil e 80 presos.


Referêcias
NOBLAT, Ricardo. A arte de fazer um jornal diário. São Paulo: Contexto, 2002.

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